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Marcos Resende Autores

Marcos Resende Autores

Rei Salomão - Cântico dos Cânticos

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Marcos Resende Especial
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Ela

Ah! Beija-me com os beijos de tua boca!
Porque os teus amores são mais deliciosos que o vinho, 
e suave é a fragrância de teus perfumes;
o teu nome é como um perfume derramado: por isto amam-te as jovens. 
Leva-me contigo.!
O rei introduziu-me nos seus aposentos.
Exultaremos de alegria e de júbilo em ti.
Tuas carícias nos inebriarão mais que o vinho.
Quanta razão há de te amar!

Ela

Eu sou trigueira, mas formosa, ó filhas de Jerusalém.
Sou morena como as tendas de cedar,
como os pavilhões de Salmão.
Não repareis em eu ser morena,
porque o sol me mudou a cor.

 

Ela

Dize-me, ó amado de minha alma,
onde é que apascentas o teu gado,
onde o levas a repousar ao meio-dia
para que eu não ande vagueando
junto aos rebanhos dos teus companheiros.

Ele

Se não o sabes,
ó formosíssima entre as mulheres,
vai, segue as pisadas da ovelhas,
e apascenta os teus cabritos
junto às cabanas dos pastores.

À minha cavalaria atrelada aos carros do Faraó,
eu te comparei, amiga minha.
tuas faces são graciosas entre os brincos,
o teu pescoço, a dos mais ricos colares.
Eu te farei brincos de ouro,
marchetados de prata.

 

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Ela

Enquanto o o rei descansa em seu divã,
meu nardo exala o seu perfume.
O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra,
que repousa entre os meus seios.
O meu amado é para mim como um cacho de uvas
colhido nas vinhas de Engadi

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Ele

Como és formosa, amiga minha!
Como és bela!
Os teus olhos são vivos como o das pombas.

 

Ela

Como es formoso, amado meu! Como és encantador!
O nosso leito é de flores;
as vigas de nossa casa são de cedro,
o nosso teto, de cipreste.

 

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Ela

Sou o narciso de saron,
o lírio dos vales.

 

Ele

Como o lirio entre os espinhos,
assim é a minha amiga entre as donzelas.

 

Ela

Como a macieira entre as árvores dos bosques,
assim é o meu amado entre os jovens.
Gosto de me sentar à sua sombra, daquele a quem tanto tinha desejado,
e o seu fruto é doce à minha boca.
Ele introduziu-me num celeiro,
e o estandarte que levanta sobre mim é o de amor.

Restaurou-me com tortas de uvas,
fortaleceu-me com maçãs,
porque desfaleço de amor.

A sua mão esquerda está debaixo de minha cabeça.
E a sua direita, abraça-me.

 

Ele

Eu vos conjuro, filhas de Jerusalém, 
pelos gazelas e corças dos campos,
que não perturbeis nem acordeis a minha amada,
até que ela o queira.

Ela

Oh, esta é a voz do meu amado!
Ei-lo que aí vem, saltando sobre os montes,
atravessando os outeiros.
O meu amado é semelhante a um gamo e a uma gazela das montanhas.
Ei-lo que está por detrás da nossa parede.
Olho pela janela,
espreito pelas grades.
Eis o meu amado que me diz:
— "Levanta-te, apressa-te, amiga minha,
formosa minha, e vem.
Porque já passou o inverno,
já se foram e cessaram de todo as chuvas.
Apareceram as flores na nossa terra,
chegou o tempo da poda;
voltou o tempo das canções.
Em nossas terras já se ouve a voz da rola. 
a figueira começou a dar os seus primeiros figos;
ouviu-se na nossa terra a voz da rola;
as vinhas e flor espalharam o seu perfume.
Levanta-te, minha minha, formosa minha, e vem:
pomba minha, tu que te recolhes nas aberturas da pedra,
na concavidade do muro,
mostra-me a tua face,
ressoe a tua voz aos meus ouvidos,
porque a tua voz é doce,
e a tua face é bela."

Ela

O meu amado é para mim e eu para ele.
Apascenta o seu rebanho entre os lírios
até que chegue o fresco do dia
e declinem as sobras.
Volta; sê semelhante, amado meu,
ao gamo e à gazela
que correm sobre os montes de Beter."

Ela

Durante a noite, no meu leito,
busquei aquele a quem ama a minha alma.
Busquei-o e não o achei.
Vou me levantar e percorrer a cidade.
Buscarei pelas ruas e praças públicas
aquele a quem ama a minha alma.
Busquei-o e não o achei.

Os guardas que rondam a cidade encontraram-me
e eu lhes disse:
— "Vistes, porventura aquele a quem ama a minha alma?"

Mas, eis que tendo-os ultrapassado um pouco,
encontrei aquele a quem ama a minha alma
Agarrei-me a ele, e não o largarei mais,
até o introduzir em casa de minha mãe
e levá-lo ao quarto daquela que me concebeu.

Ele

Eu vos conjuro, filhas de Jerusalém,
pelos gamos e gazelas do campo,
que não perturbei nem façais a minha amada despertar
até que ela o queira.

 

Que é aquilo que sobe do deserto como colunas de fumaça,
exalando o perfume de mirra e de incenso, e de todos os aromas dos mercadores?
É a liteira de Salomão, escoltada por sessenta guerreiros, sessenta valentes de Israel; 
todos hábeis manejadores de espada, e exercitados no combate;
cada um deles leva a espada ao lado por causa dos terrores noturnos. 
O rei Salomão mandou fazer para si uma liteira de madeira do Líbano. 
Suas colunas são feitas de prata, seu encosto de ouro, seu assento de púrpura.
O interior é bordado pelo amor das filhas de Jerusalém. 
Saí, ó filhas de Sião, contemplai o rei Salomão,
ostentando o diadema recebido de sua mãe no dia de suas núpcias,
no dia da alegria de seu coração.

Ele

Oh, como és formosa, amiga minha, como és formosa
por detrás do teu véu!
Os teus olhos são como os das pombas
os teus cabelos são como um rebanhos de cabras
descendo impetuosas pela montanha de Galaad.
Os teus dentes são como s rebanhos das ovelhas tosquiadas,
todas com dois cordeirinhos gêmeos
e nenhuma há estéril entre elas.
Os teus lábios são como uma fita de escarlate,
e o teu falar é doce.
Assim como é o vermelho da romã partida,
assim são as tuas faces

O teu pescoço é direito como a torre de Davi
e dele estão pendentes mil escudos
e toda a armadura dos herois
Os teus dois seios são como dois filhinhos gêmeos de uma gazela
pastando entre os lírios.

Antes que sopre a brisa do dia,
e se estendam as sombras,
irei ao monte da mirra,
e à colina do incenso.

Toda és formosa, amiga minha,
e não há mácula em ti. 

Vem do Líbano, esposa minha,
vem Líbano, vem!
E serás coroada.
Vem dos cumes do Amaná, do cume do Sanir e do Hermon,
das cavernas dos leões, dos esconderijos dos leopardos.
Tu me fazes delirar, minha irmã, minha esposa, 
tu me fazes delirar com um só dos teus olhares.
Como são deliciosas as tuas carícias, minha irmã, minha esposa!
As tuas caricias são mais suaves do que o vinho
e o odor dos teus perfumes excede o de todos os aromas! 
Teus lábios, ó esposa, são como um favo que destila o mel;
há mel e leite sob a tua língua.
O perfume de tuas vestes é como o perfume do incenso. 


És um jardim fechado, minha irmã, minha esposa,
uma nascente fechada, uma fonte selada. 
As tuas plantas são como um jardim de delícias,
cheio de todas as qualidades de romãs,
de frutos de cipre e de nardo, açafrão, canela e cinamomo
com todas as árvores de incenso, mirra e aloés,
com os balsámos mais preciosos. 
És a fonte de meu jardim,
uma fonte de água viva,
um riacho que corre do Líbano.

Vento do meio-dia,
levanta-te, e sopra no meu jardim, vento do norte e vento do sul. 
Sopra no meu jardim para que se espalhem os meus perfumes.

Ela

Venha o  meu amado para o m meu jardim,
e coma o fruto das tuas macieiras.

Ele
Eu vim para o meu jardim, irmã minha, amada;
colhi a minha mirra com os meus perfumes;
comi o favo com o meu mel;
bebi o meu vinho com o meu leite .
Amigos, comei, bebei, inebriai-vos ó caríssimos.

Ela

Eu durmo, mas o meu coração vela.
Eis a voz do meu amato, que bate, dizendo:
— "Abre-me, irmã minha, amiga minha, pomba minha,
pomba imaculada minha,
porque a minha cabeça está cheia de orvalho,
e os anéis do meu cabelo estão cheios de gotas da noite."
Eu respondi-lhe: — "Despojai-me da minha túnica,
e hei de vesti-la novamente?
Lavei os meus pés e hei de tornar a sujá-los?"
O meu amado meteu a sua mão pela abertura da porta,
e as minhas entranhas estremeceram-se com o ruído que ele fez.

Levantei-me para abrir ao meu amado;
as mihas mãos destilaram mirra,
e os meus dedos estavam cheios da mirra mais preciosa.
Abri a minha porta ao meu amado, tirando-lhe o ferrolho,
mas, ele já se tinha ido, já tinha desaparecido.
A mnha alma tinha ficado fora de si a som da sua voz:
busquei-o, mas não o achei!  Procurei-o e não o encontrei; chamei-o, mas ele não respondeu.
Os guardas encontraram-me, quando faziam sua ronda na cidade.
Bateram-me, feriram-me,
arrancaram-me o manto os guardas das muralhas.

Conjuro-vos, filhas de Jerusalém, 
se encontrardes o meu amigo, que lhe haveis de dizer?
Dizei-lhe que estou enferma de amor. 


Mulheres
Que tem o teu bem-amado a mais que os outros amados, ó mais bela das mulheres?
Que tem o teu bem-amado a mais que os outros,
para que assim nos conjures a que o procueremos?

Ela

Meu amado é forte e corado, distingue-se entre dez mil.
Sua cabeça é de ouro puro, seus cachos flexíveis são negros como o corvo. 
Seus olhos são como pombas à beira dos regatos, banhando-se no leite, pousadas nas praias. 
Suas faces são um jardim perfumado onde crescem plantas odoríferas.
Seus lábios são lírios que destilam a mirra mais preciosa. 
As suas mãos são de ouro incrustadas de pedrarias.
Seu corpo é de marfim recoberto de safiras.
Suas pernas são colunas de alabastro erguidas sobre pedestais de ouro puro.
Seu aspecto majestso é como o do Líbano, imponente como os cedros. 
Sua boca é cheia de doçura, tudo nele é para se desejar.
Assim é o meu amado, tal é o meu amigo, filhas de Jerusalém!

Mulheres
Para onde foi o teu amado, ó mais bela das mulheres?
Para onde se retirou o teu amigo?
Nós o buscaremos contigo.

Ela

O meu bem-amado desceu ao seu jardim,
aos canteiros das plantas aromáticas;
para se apascentar no jardim, e colher lírios.
Eu sou do meu amado e meu amado é todo meu.
Ele, que se apascenta entre os lírios.

Ele

Formosa és, amiga minha,
suave e sublime como Jerusalém,
terrível como um exército em ordem de batalha. 
Desvia de mim os teus olhos,
porque eles me fizeram sair fora de mim.
Os teus cabelos são como um rebanho de cabras
descendo impetuosamente pelas encostas de Galaad. 
Teus dentes são como um rebanho de ovelhas
todas com dois cordeirinhos gêmeos.
Como a casca da 
romã, assim são as tuas faces,
sem falar no que está escondido dentro de ti.
São sessenta as rainhas
e oitenta as esposas,
e inumeráveis as donzelas; 
uma, porém, é a minha pomba, uma só a minha perfeita;
ela é a única para sua mãe e a única para mim.
Ao vê-la, as donzelas proclamaram-na bem-aventurada,
viram-na as rainhas e as esposas e deram-lhe muitos louvores.
 Quem é esta que vem como a aurora,
bela como a lua, brilhante como o sol,
terrível como um exército em ordem de batalha?
Eu desci ao jardim das nogueiras para ver os frutos dos vales,
e para ver se a vinha lançado flor
e se as romãs tinham brotado.
Eu não sabia onde estavas
e minha alma ficou toda perturbada
por causa dos carros de Aminadab.

Volta, volta, ó Sulamita!
Volta para que nós te contemplemos.

Ele
Que verás tu, em Sulamita,
senão o colorido som de danças de um acampamento?   
Como são belos os teus pés nas tuas sandálias, ó filha do príncipe!
A curva de teus quadris assemelha-se a um colar, obra de mãos de artista;
teu umbigo é uma taça torneada, repleta de vinho;
o teu ventre é como um monte de trigo cercado de lírios;
teus seios são como dois filhotes gêmeos de uma gazela;
teu pescoço é como uma torre de marfim;
teus olhos são como as fontes de Hesebon;
teu nariz é como a torre do Líbano, que olha para Damasco;
tua cabeça ergue-se sobre ti como o monte Carmelo;
e os teus cabelos são como a púrpura, e um rei se acha preso aos seus cachos.
Como és bela e graciosa, ó meu amor, ó minhas delícias!
Teu porte assemelha-se ao da palmeira,
e os teus seios, a dois cachos de uvas.
Vou subir à palmeira, disse eu comigo mesmo, e colherei os seus frutos.
Sejam-me os teus seios como cachos da vinha.
E o perfume de tua boca como o odor das maçãs;
teus beijos são como um vinho delicioso que corre para o bem-amado,
umedecendo-lhe os lábios na hora do sono.

Ela
Eu sou para o meu amado o objeto de seus desejos.
Vem, amado meu,
saiamos ao campo, passemos a noite nos pomares;
pela manhã iremos às vinhas, para ver se suas flores se abrem,
se as romãzeiras já estão nascendo.
Ali te darei as minhas carícias.
As mandrágoras exalam o seu perfume;
temos à nossa porta frutos excelentes,
e eu os guardei para ti, meu bem-amado.

Ela

Quem me dera ter-te por irmão,
amamentado aos seios de minha mãe,
para que, encontrando-me fora,
eu te pudesse beijar,
sem que ninguém me desprezasse!
Eu te tomaria e te levaria à casa de mnha mãe:
tu lá me ensinarias,
E eu te daria um copo de vinho delicioso,
e eu licor novo das minhas romãs,
A sua mão esquerda está debaixo da minha cabeça,
e a sua mão direita me abraça.

Ele

Eu vos conjuro, filhas de Jerusalém,
que não perturbeis o sono de mnha amada
até que ela o queira.


Mulheres

Quem é esta que sobe do deserto,
enebriada de delícias,
apoiada sobre o seu amado?

Ele

Eu te despertei debaixo da macieira;
foi ali que tua mãe de concebeu
Põe-me como um selo sobre o teu coração,
como um selo sobre o teu braço;
porque o amor é forte como a morte,
o selo do aoré tenaz como o inferno,
suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina.
As torrentes não puderam extinguir o amor,
nem os rios teriam forçapara param submergi-lo.
Ainda que um homem dê toda a riqueza de sua casa em troca do amor,
só obteria desprezo como um nada.

Mulheres
A nossa irmã é pequena e não tem seios.
Que faremos nós de nossa irmã no dia em que for pedida em casamento?
Se ela é um muro,
edificaremos sobre ela ameias de prata.
Se é uma porta, fechá-la-emos com batentes de cedro.
 

ELA
Ora, eu sou um muro,
e meus seios são como torres;
por isso sou aos seus olhos uma fonte de alegria.
Foge, amado meu,
foge comigo.
E sê semelhante a uma gazela e ao gamo,
sobre os montes perfumados.

 
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